Prevenção de Queda de Objetos
Pelo Capítulo DROPS Ásia · Atualizado
Perigos de quem está trabalhando em altura
Trabalhando em altura, consideramos os riscos de queda de pessoas e de queda de objetos. As quedas de pessoas costumam ter resultados desastrosos na maior parte das vezes, mas são facilmente evitáveis quando as empresas se comprometem com isso. A queda de objetos acontece com muito mais frequência, mas uma parcela bem menor dela é causa de uma fatalidade ou de uma lesão grave. Se ninguém está embaixo enquanto o objeto cai no chão sem causar dano, consideramos que tivemos sorte. Vez ou outra, uma queda de objeto provoca dano significativo e o caso costuma ser tratado como um acidente fora do comum. Mas quem está embaixo, na linha de fogo, sabe que muitos incidentes semelhantes não reportados vieram antes dele. O problema é bem mais complexo e exige um compromisso significativo dos líderes da empresa para ser enfrentado.
Queda de objetos na indústria de perfuração
Em alguns setores, a queda de objetos é especialmente comum. Na indústria de perfuração de petróleo e gás, a combinação de estar trabalhando em altura em uma área reduzida, com uma equipe numerosa sobre uma estrutura de aço, a corrosão causada pela água do mar e a vibração das máquinas aumenta a chance de ocorrer queda de objetos e de o pessoal se ferir. Há mais de 20 anos, a percepção de que a queda de objetos era um risco aceitável e inevitável deu lugar ao entendimento de que esses incidentes podiam e deviam ser eliminados. Um grupo de trabalho formado por grandes empresas de energia e parceiros de serviço, chamado esquema de prevenção de queda de objetos (DROPS), foi criado no Reino Unido para enfrentar o problema. O capítulo Ásia desse grupo de trabalho foi criado em 2009.
Fixação Segura
Ampliamos o entendimento e a confiabilidade da forma como fixamos itens em altura e desenvolvemos vários mecanismos de fixação secundária para o caso de os métodos primários falharem pelas causas citadas acima. A Fixação Segura tornou-se um manual de referência na prevenção de queda de objetos na indústria de petróleo e gás, foi traduzida para vários idiomas e também foi adotada pelo setor de energia eólica.
Calculadora DROPS
Em vez de considerar que tivemos sorte quando ninguém se feriu, passamos a tratar cada queda de objetos com seriedade e tornamos obrigatório registrá-las e investigá-las. Uma das ferramentas para determinar a severidade potencial da queda de objetos é a Calculadora DROPS, que nos diz o que poderia ter acontecido se alguém estivesse exatamente embaixo do objeto em queda.
Caça Perigo
Passamos a melhorar a arrumação e limpeza e a realizar campanhas regulares de Caça Perigo para eliminar itens desnecessários em altura com potencial de causar queda de objetos.
Inspeções DROPS
Implantamos uma abordagem sistemática de planos de inspeção internos e externos, incluindo o uso de álbuns ilustrados, que acabaram sendo digitalizados e hoje são executados principalmente em tablets industriais. A inspeção de cargas ao longo de toda a cadeia logística tornou-se obrigatória para prevenir queda de objetos durante as operações de içamento.
Ferramentas para quem está trabalhando em altura
Para evitar a queda de ferramentas (responsável por cerca de 15% de todos os incidentes), criamos uma solução de engenharia que incorpora pontos de fixação ergonômicos em todas as ferramentas para o uso de cabos de segurança e garante que componentes individuais, como soquetes de catraca e cabeças de martelo, não deem origem a queda de objetos. Amarrar uma ferramenta com um pedaço de corda e fita adesiva, algo pouco confiável, tornou-se uma prática inaceitável nesta indústria.
Gestão de Zonas Vermelhas
As práticas citadas acima reduziram muito a queda de objetos em nossa indústria, e algumas empresas relataram vários anos seguidos sem um único incidente. Ainda que isso seja uma grande conquista, os incidentes continuam a ocorrer. Aceitando que talvez nunca eliminemos por completo a queda de objetos, também nos concentramos em reduzir a probabilidade de alguém se ferir. Para mais detalhes, consulte as Diretrizes Recomendadas para o Uso de Áreas de Acesso Restrito (Zonas Vermelhas)
Prática Recomendada para a Prevenção de Queda de Objetos
As grandes empresas de energia passaram a tornar as práticas recomendadas citadas acima uma condição contratual obrigatória para sua cadeia logística. Elas definem suas expectativas no guia de prática recomendada, que estabelece os requisitos básicos e as práticas mínimas recomendadas para a prevenção de queda de objetos e que podem ser incorporados aos sistemas de gerenciamento da segurança operacional já existentes na empresa. Elas usam uma lista de verificação abrangente para realizar auditorias regulares em seus principais fornecedores e assegurar a conformidade, e esperam que eles façam o mesmo com seus contratados, de modo que toda a cadeia logística fique coberta.
Webinars DROPS e gravações no YouTube
O trabalho colaborativo aconteceu principalmente durante os fóruns DROPS, realizados em hotéis e frequentados por profissionais de HSE de toda a indústria. Foi assim com o capítulo Ásia do DROPS, que realizou fóruns em Singapura, Malásia, Brunei, Vietnã, China e Austrália entre 2009 e 2016. Por ser tão disperso geograficamente, o Capítulo Ásia passou a realizar seus fóruns em plataformas de webinar como o Zoom e a gravá-los para seu canal no YouTube. A colaboração e as reuniões remotas se tornaram nosso jeito padrão de trabalhar antes mesmo de a Covid-19 acontecer.
Algumas das áreas de foco atuais incluem o uso de soluções digitais para fazer cumprir as políticas de zonas vermelhas, elevar a qualidade das inspeções internas e externas, melhorar o planejamento para reduzir a frequência dos içamentos e aumentar a conscientização e a competência do pessoal.
Quando ocorre uma queda de objeto, normalmente ela é a falha de uma combinação das melhores práticas citadas acima. Muitas vezes tem origem na falta de competência ou de conscientização do pessoal envolvido.
DROPS Forum VR
Para ampliar ainda mais a conscientização sobre o tema da queda de objetos e inspirar uma nova geração que entra no mercado de trabalho, o capítulo Ásia do DROPS decidiu desenvolver uma ferramenta de treinamento e colaboração em realidade virtual chamada DROPS Forum (VR). Usando um headset de realidade virtual, um celular ou um computador, os profissionais entram em um ambiente virtual por meio de um avatar. Eles podem encontrar outros profissionais, conversar com eles e aprender uns com os outros, de forma semelhante às reuniões presenciais que fazíamos originalmente. É mais acessível e tem um impacto muito menor sobre o meio ambiente, já que não é preciso viajar para participar.
Em ambientes 3D como os dos jogos de computador, os alunos podem aprender sobre os assuntos mencionados neste artigo. Podem fazê-lo com a orientação de um instrutor experiente a distância ou no próprio ritmo, a qualquer momento. Para experimentar a versão beta de demonstração, acesse www.dropsvr.org
Treinamento em Realidade Virtual
A realidade virtual é “a próxima novidade no horizonte” desde os anos 70, mas só se tornou tecnicamente viável com a invenção do Oculus Rift em 2012. Com os investimentos maciços do Facebook e de várias outras empresas, a tecnologia evoluiu rapidamente desde então. Com a disponibilidade de hardware barato e de alta qualidade, sua adoção global começou a crescer exponencialmente a partir de 2018. O lockdown associado à Covid-19 também ajudou a aumentar o interesse. Sua adoção está hoje “apenas” na casa das dezenas de milhões, mas, combinada com a realidade aumentada, deve ser a próxima plataforma computacional, seguindo os passos do celular e do computador pessoal dentro de uma década. Todas as grandes empresas de tecnologia, incluindo Amazon, Microsoft, HP e Facebook, estão despejando bilhões em P&D para RV e RA.
Esses investimentos não visam apenas capturar uma fatia do mercado de jogos que motivou o desenvolvimento do Oculus Rift original; muitas aplicações foram desenvolvidas para atender às necessidades das empresas